Cada povo tem o governo que merece
Por Luis Fernando Manassi Mendez
Quando
o filósofo francês Joseph De Maistre cunhou a célebre frase reproduzida
no título acima, ele, na verdade, estaria fazendo um prenúncio do
sentimento político vivido por muita gente ao longo dos anos. No Brasil,
a frase é muito utilizada para uma sentença de indignação do povo junto
a seus líderes governantes. Semana passada, mais um fato constrangedor,
envolvendo o meio político, causou reviravolta na opinião pública. O
cenário, desta vez, não teve um escândalo que culminasse em quedas de
cargos como os anteriores, mas causou indignação aos que ainda almejam
uma pátria mais politizada. Daniel Barbalho, nove anos, filho do
político Jader Barbalho, fez deboches ao país, na posse do pai, afastado
após dez anos acusado de corrupção.
Daniel
Barbalho teve uma atitude reprovável em dois atos: aos jornalistas que
estavam cobrindo a posse de Jader, soou como um desrespeito ao trabalho
destes profissionais e ao povo brasileiro em sua grande minoria. As
caretas vindas de uma criança encerraram um ano de imoralidades
políticas e os gestos de Daniel foram os mais sutis em comparação com as
condutas de uma gama de ministros acusados de desvios e
irregularidades. As atitudes do filho de Barbalho representam um deboche
infantil, é verdade, mas indicam também que nós, brasileiros, vegetamos
no meio de humilhações públicas. Um puxão de orelha vindo do pai, mesmo
se resolvesse, apenas reprimiria um ato, mas não educaria.
Fico
a imaginar se as caretas de Daniel Barbalho foram um deboche ou se, de
fato, são as marcas registradas do brasileiro, que covardemente se
“indigna” ao escrever em jornais, nas cartas de eleitores, reprovando a
corrupção, se de nada adianta morrer uma ideia ou um manifesto no papel.
Nós, brasileiros, não aprendemos: mais caretas virão futuramente e
aceitaremos, com o emprego de políticos cassados, novos deboches.
Falta
muito, ao brasileiro, para atingir o patamar de uma consciência
política avançada. Não temos uma politização adequada. Vegetamos na
inércia, somos complacentes com atitudes imorais, onde banalizamos fatos
reprováveis.
Luis Fernando Manassi Mendez é jornalista, Quaraí, RS
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